ARTIGOS
 
O Corrichado e seu Desenvolvimento I

Teremos de considerar vários aspectos que normalmente surgirão durante a “Época do Corrichar” e que interferirão no desenvolvimento do corrichado. O problema a meu ver resume-se em entendermos o porque do Corrichar, e como desenvolve-lo corretamente para atingir suas finalidades e objetivos. Esta fase, excluindo-se o processo de Vetorização do canto, é sem dúvida a mais importante e complexa entre todas no desenvolvimento e formação do canto Vetorizado nos filhotes dos Curiós. O Corrichar nada mais é que um conjunto de exercícios de vocalização com vistas ao desenvolvimento da Seringe órgão responsável pelas vocalizações dos elementos sonoros (assovios) Vetorizados no filhote, portanto se constitui etapa pós-vetorização e deve manifestar-se no período compreendido entre a Vetorização do Canto e a Muda de Ninho por volta dos quatro meses de idade.

 

Vejamos:

 

1.     Filhote que corricha pouco o faz por se encontrar isolado

Em um ambiente desprovido de estímulos tais como um rádio ligado, CD-R intercalado com som de Cachoeira e água corrente, gravação de outros filhotes corrichando etc. São nesta fase, indispensáveis ao estimulo do “Corrichado”.

 

2.     Sabemos que o temperamento extrovertido e irrequieto, alegre e brincalhão (pois os filhotes de Curiós “Brincam” como se fossem crianças) dos filhotes, tem nos levado a equipar a sua gaiola com elementos ocupacionais experimentais reduzindo sensivelmente o Stress, caso contrário corricham pouco e buscam ocupar-se todo o tempo brincando com:

 

·        O comedouro, jogando fora às sementes proporcionando um alto índice de desperdício das mesmas.

·        O bebedouro, proporcionando um alto consumo de água (está sempre vazio), pois se excitam ao jogar fora a água.

·        Jogam fora todo o “Grite” que disponibilizamos em sua gaiola.

·        Rasgam e puxam o papel do fundo com muita freqüência.

·        Destroem a capa da gaiola puxando as costuras internas, promovendo às vezes o enroscamento do seu bico, pernas ou língua, bem como engolem fiapos de tecido ou mesmo linhas provocando às vezes a sua morte. Devemos usar capas pespontadas (coser a pesponto) e desprovidas de costuras internas e fiapos que se soltam ao serem puxados. 

·        Costumam, entediados  atirar-se com certa violência contra o tabuleiro da gaiola, tal prática chega a nos assustar.

·        Praticam acrobacias do tipo “Salto Mortal” e alçam vôos em círculos saindo pela tangente.

·        Brincam e até brigam com o “osso de Siba” (Nome dado no comércio à concha calcária interna dos moluscos decápodes)   e “dorminhoco” provocando às vezes acidentes com o enroscamento da anilha no elemento de fixação (arame) do osso de siba nas “Talas” da gaiola.

·        Costumam entrar em vasos de boca estreita utilizados como porta “Tiririca” (Capim Navalha) Scleria bracteata Cav. Se não forem socorridos a tempo morrem.

·        Alguns vitimados pelo Stress entram no compartimento do cocho escondendo a cabeça por baixo das extremidades do mesmo (parte escura). Baixar o volume das instruções de canto nestes casos.

·        Apresentam DPA – Distúrbio de Plumagem e viciam em comer os canhões das penas, uma vez instalado o DPA o filhote atrasa todo o processo do Corrichar.

 

Os aspectos por nós observados são vários, citei apenas alguns para exemplificar o pouco “Corrichado” em filhotes que se estressam entediados por falta de uma Terapia Ocupacional. Terapias ocupacionais nesta fase são estimulantes do Corrichado. “Filhotes de curiós brincam como crianças” e nós precisamos disponibilizar alguns brinquedos para que brinquem e cumpram o “Corrichar” com êxito e bom desenvolvimento.

O fim do Corrichado caracteriza-se pelo surgimento dos primeiros assovios, se o filhote não cumpre com êxito o Corrichar retardará os assovios, pois não desenvolveu convenientemente a “Seringe” (conjunto de membranas e músculos seringiais) ainda antes da muda de ninho, por motivos anteriormente mencionados. Podemos afirmar que esta fase é a mais importante na vida de um Curió, pois é o momento em que o canto Vetorizado começa a se manifestar e precisa ser bem conduzido sem interrupções ou traumas que venham inibir as emissões e desenvolvimento dos primeiros elementos sonoros.

O pós muda de ninho deve ser caracterizado pela ausência de corrichados e presença apenas de assovios. Nesta fase encontramos uma diversificação enorme de comportamentos proveniente de um maior ou menor desenvolvimento Seringial. O pós muda caracteriza-se pelo surgimento e desenvolvimento do temperamento que não deve ser retardado sobre pena de colocar em risco todo o desenvolvimento canoro do filhote.

Os aspectos do pós “muda” observados em filhotes Tecnicamente Vetorizados com ou sem a completa  conclusão do “Corrichar”, leva-nos a um vasto elenco de observações que fogem ao nosso propósito no momento, contudo registrarei o fato de que alguns filhotes continuarão a corrichar no pós muda cumprindo desta forma (tardiamente) o desenvolvimento Seringial.

Num segundo grupo estão aqueles filhotes que continuarão os assovios até externar totalmente a mensagem canora Vetorizada. Estes cumprirão o corrichado com bastante êxito e serão “Melhores Cantores”.

Num terceiro grupo encontramos aqueles filhotes que embora tenham concluído ou não o corrichar, apresentavam antes da muda de ninho a emissão de algumas notas assoviadas. Concluída a muda retornam ao Corrichar e permanecem nele por três meses aproximadamente como se tivessem que retornar ao início do processo. É como se o desenvolvimento da Seringe fosse eliminado durante o processo da muda, estes filhotes são tardios e normalmente pouco desenvolvidos. Registramos ainda a presença deste retrocesso no desenvolvimento Seringial de alguns Curiós que, depois de concluída a primeira muda de Preto “Muda Anual” retornam ao Corrichado como se tivessem esquecido tudo o que aprenderam, e repetem integralmente o processo, apenas apresentando um desenvolvimento mais rápido.

Este Texto tem como objetivo chamar a atenção dos criadores para o Corrichar e ajudar o entendimento deste complexo processo. Conhecedores do processo, podem interferir com competência quando se fizer necessário. Antecipei neste texto alguns aspectos sobre Terapia Ocupacional dos filhotes de Curió “Os Filhotes Brincam” que no momento encontra-se como sendo a minha principal preocupação no sentido de entender as relações com o corrichar.

Tenho tido informações de vários companheiros que adotaram o nosso método (Vetorização de Canto em Filhotes de Curiós) e que já estão colhendo excelentes resultados, acredito que no decorrer deste ano 2002 teremos alcançado um alto índice de aprendizado até então nunca atingidos pelos criadores iniciantes. Espero estar vivendo o início de um “Novo Momento da Criação Doméstica Do Curió”.

 

O Autor

Gilson Barbosa – BA.


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