ARTIGOS
 
O Corrichado e seu Desenvolvimento II

Por Gilson Barbosa.

gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

gilsonbahia@globo.com

 

Considerações:

 

É verdade, um filhote inutiliza o outro durante o aprendizado coletivo, o aprendizado deve ser individualizado. É fato conhecido de todos há muito tempo que os filhotes de Curiós ao atingirem os quatro meses de idade (se geneticamente aprimorados para canto) estão com o canto completamente limpo de “Corrichados” expressam-se apenas com assovios e conjuntamente desenvolvem o temperamento com o surgimento dos primeiros sinais de “Territorialismo”. São territorialistas e é nesta fase que surgem os primeiros aspectos desta característica, dentre eles as disputas de canto que leva um filhote a emitir um pequeno fragmento do canto para em seguida calar-se, esperando a resposta dos demais, uma vez implantada esta disputa entre eles, ficam inutilizados para sempre, pois, adquirem o vicio de cantar fragmentos do dialeto ministrado, desinteressando-se pelo aprendizado e pela repetição não se desenvolvendo prejudicados pela troca de canto que se instala entre eles. Basta que um filhote execute um fragmento para que todos os outros interajam imediatamente com outro fragmento que com o passar do tempo se impregnam  de vícios tais como “Gritos de Guerra” do tipo “Voiaquil” “Rinharinha” “Viviu” “Remrem” “Leco-leco” “Chauchau-Vi”  ou Serradas etc. Como forma de demolir o temperamento dos companheiros da estante ou prateleira até que se estabeleça uma liderança no grupo. Reside aí nesta fase, o aspecto determinante do insucesso de todo o trabalho da maioria dos criadores que não dispõem de espaço para individualizar as Instruções de Canto e por este motivo “Discordam por Discordar” é que lhes falta à base da observação, que dá consistência a metodologia científica. 

Os esclarecimentos destas questões dependem do nível de conhecimento dos aspectos aqui tratados por parte dos criadores, pois, a metodologia a ser aplicada depende muito da base de informações e conhecimento principalmente dos comportamentos “Espontâneos na Natureza”.

Tenho baseado todo o meu trabalho nas observações que tenho feito dos Curiós na Natureza, ainda abundantes em alguns “Sítios Ecológicos Preservados” da nossa região Sul da Bahia, não me baseio nos estudos de nenhum pesquisador nem ensinamentos sejam eles quais forem, principalmente se destoam das minhas observações, eu divulgo a minha experiência única e exclusivamente, e toda ela é fruto de observação feitas por mim na “Natureza” ou dos experimentos que empreendo para formar minha opinião. Só concordo quando comprovo plenamente os fatos, não me importa a origem das informações, ou que credibilidade possam ter, para mim elas só serão verdadeiras se puder por em prática e comprovar, caso contrário ficam como informações genéricas a comprovar. Este é o esclarecimento que gostaria de fazer e recomendar a todos para que façam o mesmo.

Tenho observado em vida Silvestre que os filhotes de Curió ficam independentes dos pais quando completam algo em torno de 30 dias de nascidos, e  permanecem no seu convívio por mais 15 dias quando se intensifica o “Corrichar” que ao se  instalar  passa a incomodar o pai que os expulsa do “Território”. Nesta fase os filhotes expulsos dos diversos territórios se agrupam em bandos para a prática do “Corrichar” e, parecem buscar as margens dos Regatos, (aí são encontrados) Corredeiras e Cachoeiras para se estimularem, e desta forma desenvolverem um corrichar intenso. Nesta fase já se encontram com o Dialeto do Pai completamente Vetorizado (vetorização espontânea ocorrida durante o período de dependência dos pais) dependendo apenas do desenvolvimento Seringial para produzirem os primeiros assovios, o período do “Corrichar” é variado entre os filhotes que também possuem idade variada dentro do bando, logo acreditamos  que o período do “Corrichar” em filhotes de Curiós  Selvagens dure cerca de 6 meses, (período este reduzido para metade com a estimulação e o aprimoramento Genético em domesticidade) logo, temos convicção de que durante o “Período do Corrichar” os filhotes não vetorizam absolutamente nada em termos de informação canora, pois já o fizeram com a “Vetorização Espontânea” durante o convívio com os pais. Agrupam-se para Corrichar e buscam estímulos na própria natureza, e no corrichar do seu companheiro de bando, daí as minhas preocupações com os estímulos do Corrichar em domesticidade. Estamos convencidos de que o corrichar nada mais é que exercícios de desenvolvimento da “Seringe”, ou melhor, das membranas seringiais em número de duas para a produção dos assovios. À  medida que surgem os assovios o “Bando” automaticamente se desfaz por motivos Territorialistas.

 Temos observado que os filhotes em fase de Abertura dos Assovios procuram os trechos mais barulhentos do Rio para Assoviar, é como se buscassem uma proteção aos assovios dos outros companheiros que também se comportam da mesma forma originando-se aí o princípio dos Territórios.

Observamos que, mesmo na natureza, os filhotes buscam o isolamento no barulho das águas das Cachoeiras para Abrirem  Os Assovios, é a proteção natural, e como fica em domesticidade?   

 Esta é a nossa observação da “Natureza” contudo cabe ressaltar duas linhas distintas de conduta por parte do criador na domesticidade da criação. As  limitações (escassez) de  espaços para desenvolver a contento o acompanhamento e lapidação do canto dos filhotes nos obriga a duas linhas distintas de conduta.

 

1. Primeira Linha

 

Confinamos os filhotes provenientes de ninhadas especiais conjuntamente com a sua mãe a partir do 16° (décimo sexto) dia de vida (logo após a saída do ninho)  em Caixas, Cabines ou Gabines de  Vetorização com ventilação mecânica e sonorização embutida controlada por Timer, sensores ou Computador. Ministramos as Instruções de canto de nossa preferência mediante CD-R  DIDÁTICO DE INSTRUÇÃO e específico para tal finalidade. Recomendamos a leitura dos seguintes artigos:

 

·        VETORIZAÇÃO EM FILHOTES DE CURIÓ

·        CONFINAMENTO VISUAL DO CURIÓ

·        CRITÉRIOS DE SELEÇÃO & CONCEITOS

 

Ao completarem trinta dias de nascidos, os filhotes confinados já se encontram completamente vetorizados (este período corresponde à permanência dos mesmos junto aos pais em vida Silvestre). Devem em seguida ser apartados encapados e confinados. Segundo o Artigo CONFINAMENTO VISUAL DO CURIÓ.

 

2. Segunda Linha:

 

Procedemos de forma idêntica a primeira “Linha” quanto à “Vetorização de Canto”, contudo os filhotes por motivo da quantidade e dos custos financeiros  (investimento) do espaço necessário ao confinamento, são encaminhados para uma prateleira ou Viveiro a onde ficam em grupo ou isolados visualmente, porem compartilhando da mesma instrução de Áudio e escutando-se  mutuamente durante todo o “Corrichado”, ora, sabemos que o corrichado é um exercício, (estamos convencidos disto) e que neste período não mais ocorrem vetorizações, sabemos ainda que o corrichado de um filhote estimula o do outro e que buscam o som das águas para se estimularem, sabemos ainda que sendo o corrichado um exercício, quanto mais se praticar melhor, porque mais rapidamente abrirão os assovios possibilitando a formação do canto em tempo recorde. Devemos apenas evitar o “cantar sem fim” de alguns “Filhotes Especiais” na fase de ABERTURA DOS ASSOVIOS. À medida que a Seringe  começa a ser capaz de produzir assovios uma sobrecarga provocará a temida “ROUQUIDÃO” do filhote muito freqüente, podendo leva-lo inclusive a morte.

Devemos ficar atentos ao desenvolvimento do Corrichado, que dura de 45 a 90 dias em filhotes aprimorados, precisamos observar o surgimento dos primeiros assovios para efetuarmos a identificação do filhote e a sua exclusão do grupo, pois inicia a abertura dos assovios e neste momento  procederemos ao seu confinamento, estes cuidados são indispensáveis.     Caso não se faça de imediato, instalar-se-ão  no grupo os mencionados aspectos TERRITORIALISTAS anteriormente mencionados  inutilizando todo o grupo. As disputas com trocas de “Fragmento” de canto inutilizará todo o grupo. Devemos acompanhar o desenvolvimento da abertura dos assovios e a lapidação do canto de forma individualizada,  pela própria observação da  Natureza.

 

A afirmativa de que  “O corrichado que estimula é o mesmo que atrapalha” é totalmente equivocada e não deve ser levada em conta, devemos observar os acontecimentos, cada um em suas respectivas épocas, Corrichado, Abertura de Assovios e Formação de Canto.

 

O Autor

Gilson Barbosa – BA.

gilsonbahia@globo.com


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