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Acasalamento pra fibra!!!! Por Aloísio Tostes.

Acasalamento para Fibra

Tem-se que ter em mente que para participar com bom desempenho em um torneio de fibra o pássaro tem que ter perfil e aptidão para o mister. Depende, como é óbvio de uma carga genética com esse viés. Assim, um indivíduo muito nervoso (que tenha muita raiva do adversário) não serve porque não canta de cara ou canta muito pouco. As vezes isso tem a ver com a respectiva subespécie, com a origem geográfica das matrizes, ou até com a aparência do indivíduo. Então, para aquele criador que deseja formar um bom participante deve procurar adquirir exemplares de criadores que se esmeram na reprodução de linhagens que tenham esse perfil.
Isto pode ser constatado pelas evidências a partir de performance da respectiva genética. Observar que tem que ser dos dois lados, tanto pelo macho como pela fêmea. O plantel do criador de pássaros de fibra tem que ter referências de excelência de ambos os sexos, todo cuidado com a escolha das fêmeas porque nelas pode estar escondida a qualidade para mais ou para menos.
Pássaro de torneio, especialmente, de fibra, como já foi dito, tem que ser tratado com muito cuidado. Todos os anos a rotina deve ser repetida. Quando saem da muda, estão frios e fechados. No início da temporada deve-se trabalhar muito mais do que no final, levando em conta que depois que bicho adquirir fogo, isto é, estiver aberto, cantando muito, o trabalho é manter a forma com menos intensidade no manuseio na medida que o tempo passa.
Salutar também saber diferenciar um pássaro experiente de um novato na questão, há de se dar tratamento especial para aqueles que ainda não participaram e não tem vivência e histórico no manejo. A idade é muito importante nessa avaliação. Lembrar também que pássaros mesmo erados que foram muito “mexidos” e mal manuseados, em geral não servem para torneios de fibra porque já formaram opinião e não se prestarão mais para rodas.
Após escolhida a fêmea exclusiva, obedecendo à regra “para macho novo, fêmea nova”, podemos iniciar a fase do acasalamento, lembrando que cada um terá que ficar em sua gaiola. O processo deve ser gradativo. Os dois devem primeiro se habituar com o som e reconhecer de forma recíproca o canto do parceiro. O que implica em dizer que não se deve nunca mostrar a fêmea abruptamente, é preciso ir devagar. Há casos de fêmeas muito fortes que assombram os machos, isto poderá gerar um trauma no bicho que muito prejudicará seu acerto. Alguns até não mais se recuperam do susto.
O ideal é colocá-la, de início, a uns dois metros de distância do prego do macho com um separador de tábua, evitando-se que se vejam durante dois dias. Depois se aproxima a gaiola da fêmea para a distância de um metro, pelo período de mais um dia. Em seguida, através de um buraco de 5 cm no centro do separador, deixe que eles se vejam pela primeira vez, sempre cada um em sua gaiola. Se a reação do macho for estourar, galanteando a fêmea, é um bom sinal; demonstra que, à primeira vista, ele gostou dela. Mas só isso não é suficiente.
É preciso muito mais. Ela também tem que gostar dele. O macho sente quando a fêmea não gosta de si, isso muito acontece quando o criador utiliza uma fêmea para dois machos ou mais, não faça isso, jamais. Os dois terão que se amar, e assim irão, daí para a frente, iniciar a troca de sinais de carinho que vão se intensificando com o passar do tempo. As demonstrações mais importantes de que o casal está se entrosando é um responder o quem-quem (chiado) um do outro e também o chiado de rato, emitido principalmente pelo macho. Se o criador perceber que um não gostou do outro, terá que repetir todo o processo com outra fêmea, até conseguir a formação do casal.
Depois de tudo isso ainda tem muita coisa a considerar na parte de acasalamento. Às vezes estão bem acasalados, mas o desempenho do macho deixa a desejar. Assim, é preciso tentar trocar a fêmea ou mudar o jeito de acasalar. Na verdade, a tarefa mais difícil em toda a preparação para torneio é formar o casal. Pássaro bom, valente de boa genética, satisfeito com sua fêmea, é a segurança de bons resultados sempre.
Depois de acasalado, para iniciar o processo da lida é preciso passear bastante com cada macho, isoladamente. Enquanto o pássaro não estiver totalmente aberto, carregue-o somente com a sua fêmea para passear. Quando perceber que ele está cantando forte e de fogo, aí sim, pode-se levá-lo acasalado junto com outro casal. Também é salutar que escutem de longe o canto de outro estranho para eles, estimula e serve para irritá-lo.
Não se deve nunca ficar trocando de lugar na casa o pássaro de torneio. Depois que voltar do passeio, trocar a água da banheira e colocá-lo, de imediato, no prego. Lembrar que a ave de torneio é como um cavalo de corrida, terá que ficar sempre recolhida obrigatoriamente no seu torno (prego), à exceção dos momentos de passeio e exposição ao sol.
Quando o criador entender que pendurar a ave para cantar do lado de fora da casa melhora o desempenho, deve procurar não exceder o prazo de trinta minutos por dia. Sempre numa estaca e se passar disso seu desempenho no torneio ficará prejudicado, principalmente para o de fibra. Não acostume fazer ele cantar em paredes, depois fica difícil que ele se adapte numa estaca.
Logicamente, estamos falando de regras gerais. Cada ornitófilo, pela sua experiência, deve agir como achar melhor, ainda mais se tudo estiver dando certo. A rotina mais usada na forma de trabalhar o pássaro com a sua fêmea, notadamente no período dos torneios, obedece aos seguintes procedimentos:
a) só sair de casa para passeio com pássaros em grupos, se cada um estiver junto com sua respectiva fêmea;
b) não usar a fêmea para dois machos diferentes, e vice-versa;
c) não deixar a fêmea botar na época em que o macho esteja participando de torneios. Pode fazê-lo ficar choco e inutilizá-lo para a temporada. Evite colocar ninho na gaiola;
d) colocar os dois (macho e fêmea), para dormir se vendo, na quarta-feira, a uma distância de 20 centímetros uma gaiola da outra. De manhã cedo, na quinta-feira, afastar as gaiolas, o mais possível;
e) na véspera do torneio, além de viajarem juntos, cada um em sua gaiola, devem assim ficar até o início da disputa. Procure deixá-los sempre encapados com capa dupla, não desgasta, não deixa os machos passarem fêmea e possibilita manusear muitos casais, depois de colocados lado a lado na véspera do torneio só devem ser abertos por poucos momentos antes do início do torneio;
f) depois do torneio, deixar os dois se vendo até o dia seguinte de manhã, para evitar que o macho fique rouco de tanto cantar;
g) nos outros dias, afastar a fêmea, para conseguir-se que o macho não fique super excitado ou passado de fêmea; é necessário também que a fêmea não entre em processo de nidificação, o que é um desastre para um pássaro em regime de disputa de campeonato;
h) se a fêmea estiver abaixando, pedindo gala, não deixe que o macho a veja na véspera do torneio. Pode-se usar uma outra fêmea estepe, de preferência fria, para substituir a titular provisoriamente e por muito pouco tempo;
i) alguns criadores criam vícios nas aves e utilizam na véspera do torneio a técnica de substituir a fêmea por outra. Nesses casos, usam duas fêmeas para um só macho, uma para viajar e acompanhar os machos nos torneios e outra para acasalar normalmente em casa;
j) alguns pássaros, na véspera dos torneios, gostam de ficar juntos com fêmeas estando as duas gaiolas com os passadores abertos;
k) para mostrar a fêmea para o macho, existem muitas maneiras: ver por cima, ver por um buraco bem pequeno, ver de longe, ver de perto. Cada pássaro gosta de um jeito. Descubra qual, baseado no desempenho dele nos torneios;
l) feito o acasalamento procure nunca mais trocar a fêmea, principalmente se os resultados forem positivos, isso porque eles são muito fiéis e, à medida que o tempo passa, vão se entendendo cada vez mais. Há, todavia, casos em que o macho que enjoa de sua fêmea depois de uma ou mais temporada; se isso for percebido, pelo baixo rendimento, deve-se trocar a companheira e guardá-la para um eventualidade;
m) cuidar para que o pássaro de torneio tem uma noite bem dormida, não deixar luz acessa no ambiente dele, em especial quando estiver junto com a fêmea.
Pelo que vimos acima, dá para se perceber como é complicado fazer acasalamento. Não há uma regra geral precisa. O sucesso permanente de uma ave vai depender muito da forma utilizada pelo criador. Convém agir com simplicidade, não criando manias exageradas que podem habituar o pássaro a modos esdrúxulos de acasalamento.
Uma coisa é certa, o bicho tem que estar com sua autoestima lá em cima, estar bem acasalado a sua performance será boa, senão a qualquer momento ele irá baquear. Somente pássaros acertados de fêmea são campeões, quer dizer tudo está muito vinculado a “saudades” que ele sente dela e da proteção que quer dar ao seu território e sua fêmea, nos momentos do torneio.
Por isso é que um pássaro pode se sair muito bem na mão de um criador e na de outro pode ser um fracasso, justamente por não se conseguir saber como agia o proprietário anterior ou não se ambientar com a nova mão. Ainda por cima há alguns que não se adaptam na configuração do outro local. Recado final: ao adquirir um pássaro participante de torneio, a respectiva fêmea tem que vir junto. Todo cuidado com a saúde dela é fundamental para o sucesso do pupilo nos torneios de fibra.

Aloísio Pacini Tostes
Bonfim Paulista – Ribeirão Preto
www.lagopas.com.br
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