ARTIGOS
 
Pesquisa de Canto

PESQUISA DE CANTO

 

            Todo criador iniciante na criação e vetorização/encartamento de canto clássico, após buscar informações na internet e com criadores “mais experientes”, fica com um amontoado de opiniões diferentes e várias receitas de “sucesso” na colocação de canto clássico no curió. Conosco não foi diferente, ao iniciarmos na colocação de cantos passamos por este mesmo caminho, porém tomamos algumas iniciativas para tentar criar nosso próprio entendimento sobre o assunto, e para isso visitamos diversos criatórios pelo Brasil para vermos ao vivo as experiências dos criadores que julgamos ser sinceros em suas informações.

            Tomadas as primeiras iniciativas resolvemos confirmar na prática aquilo que vimos na teoria e através de outros criadores, e para isso sacrificamos uma temporada para fazer uma pesquisa sobre a importância de uma boa vetorização do filhote sobre a formação de um futuro clássico, o que popularmente chamamos de “ter berço”. Para nossa pesquisa utilizamos 6 cabines acústicas e 8 filhotes de curió, sendo que 6 filhotes ficavam nas cabines, um fora da cabine em uma casa e um fora da cabine em outra casa. Dos 8 filhotes, apenas 2 “tiveram berço”, ou seja, durante os primeiros 35 dias de vida (fase de vetorização) tiveram adequado isolamento acústico e ouviram um arranjo didático para o para o aprendizado do canto desejado, sendo que os outros 6 filhotes, 3 de um criatório e 3 de outro, ouviram cantos de galadores durante o período de vetorização, 2 desses filhotes “sem berço” foram os que ficaram fora das cabines.

            O objetivo da pesquisa foi confirmar a importância do berço bem como a influência da cabine no tempo para o filhote iniciar os assobios.

            Como resultado da pesquisa obtivemos os seguintes resultados:

_ Dos 6 filhotes que não tiveram berço, nenhum cantou o canto clássico quando iniciaram os assobios, apenas 1 que ficou bem perto do clássico, colocando quase todas as notas, os outros ficaram longe de ser clássicos;

_ Os 2 filhotes que tiveram berço, quando iniciaram os assobios, soltaram o canto clássico como resultado da vetorização, sendo que 1 apresentou um único detalhe que foi o de colocar duas batidas de praia antes de iniciar o canto em algumas cantadas.

_ Os 2 filhotes que ficaram fora das cabines iniciaram os assobios antes da muda de ninho, sendo que 1 iniciou os assobios aos 53 dias de vida;

_ Dos 6 filhotes que ficaram nas cabines, apenas 1 iniciou os assobios antes da muda de ninho, os demais iniciaram por volta dos 9 meses de vida.

NOSSAS OBSERVAÇÕES:

            Sabemos que um universo de 8 filhotes é pouco para dar um resultado conclusivo e definitivo sobre os assuntos abordados, porém por tudo que lemos e trocamos de idéias com amigos criadores, podemos dizer com segurança que a pesquisa mostra que a vetorização é o fator mais importante para a formação de um curió clássico, cabendo ao mantenedor a correta condução do aprendiz e sua devida lapidação do canto, bem como, a formação de um clássico que não teve berço fica dependente da sorte e mero acaso.

            Outra observação que tivemos foi em relação ao tempo para o início dos assobios, sendo que nessa pesquisa, as cabines atrasaram o seu início, porém julgamos o seu uso primordial para aqueles que querem apostar em mais de um filhote por temporada, bem como acreditamos que se houver disponibilidade de tempo para a retirada do filhote da cabine por mais de uma vez ao dia, o atraso no início dos assobios pode ser menor ou mesmo inexistir.

 

Autor : Juliano Guerra – Criatório Curió do Norte


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