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Treinamento do Padreador

Treinamento para o Padreador


Introdução
Durante os primeiros anos de criação cometemos diversos erros que diminuem à medida que aprendemos com eles, vamos nos aperfeiçoando ao longo do tempo, encontramos a melhor maneira de fazer alguma coisa após fazermos de forma errada ou inadequada esta coisa por várias vezes. O objetivo do ensino desta técnica é evitar que os criadores iniciantes cometam os mesmos erros cometidos pelos criadores pioneiros e se desestimulem. Sabemos que os Curiós são aves de “COSTUME”, que uma vez estabelecido, os utilizarão para sempre. Baseado neste fato, devemos acostumar os padreadores com as gaiolas e utensílios (poleiros e suas posições) empregados durante a pratica da CÓPULA para que na hora não enfrentem situações novas que não saberão como resolve-las e com tal falta de habilidade perca-se “O Momento da Fêmea” (momento em que a fêmea encontra-se em posição de solicitação de cópula) que dura cerca de trinta segundos no máximo, podendo se repetir ou não logo em seguida.
A prática da Cópula objetiva e eficiente, depende diretamente do conhecimento adquirido pelo padreador em relação a sua prática e seus utensílios evitando investidas contra a gaiola sem encontrar o passador ou mesmo a exploração da gaiola da fêmea por parte do curió pinoteando de um lado para o outro buscando conhece-la exatamente no momento da cópula, botando tudo a perder. As inabilidades são muitas e, alguns Curiós chegam a ter medo de fêmeas pelas agressões sofridas durante tentativas mal sucedidas de cópula inutilizando-se para a reprodução.

Treinamento do Padreador
Devemos possuir em nosso criadouro, se possível, fora do recinto das matrizes, prateleira idêntica à demonstrada no desenho “Módulo de Manejo” com a finalidade de efetuar o treinamento dos Padreadores que deverão acostumar-se com as gaiolas e posicionamento dos poleiros e utensílios, devendo transitar com desenvoltura a partir da Gaiola do Macho para as Gaiolas Criadeiras denominadas de Esquema-1 e Esquema-2 mediante a simples remoção das divisórias, familiarizando-se com o sistema que será o mesmo a ser utilizado no interior do criadouro quando da fertilização das fêmeas. Tal treinamento dará ao Padreador total conhecimento dos espaços a serem utilizados durante a cópula, evitando desta forma situações desconhecidas para ele. O treinamento deverá ser efetuado a principio sem a presença da fêmea, para dota-lo do conhecimento total da gaiola criadeira, a localização dos passadores para a entrada e saída da gaiola criadeira proporcionando rapidez objetividade e segurança ao padreador antes durante e depois da cópula. Todo o esquema deverá ser assimilado e familiarizado pelo Padreador. Após obter os conhecimentos necessários, efetuamos o treinamento dos dois esquemas demonstrados no Módulo de Manejo com a presença de uma fêmea presa pela grade divisória na metade esquerda ou direita das gaiolas criadeiras. Quando da remoção da divisória (eucatex/fórmica) o padreador deve imediatamente passar para a gaiola criadeira e logo em seguida retornar a sua gaiola, aí o treinamento estará concluído.

MANEJO PARA POLIGAMIA


INTRODUÇÃO


TEMOS DOIS CASOS A CONSIDERAR QUANTO AO CANTO DO PADREADOR


Primeiro Caso - O canto do Padreador é idêntico ao canto do Cortejador
Segundo Caso - O canto do Padreador é diferente do canto do Cortejador

 

 

Definição do Cortejado
Definimos como cortejador o Curió que fará a corte às matrizes aprontando-as para a cópula. Esta corte poderá ser efetuada pelo próprio padreador vulgarmente conhecido como “galador” mas, via de regra, o Padreador é um Curió de “Alto Nível Canoro” que não se prestará a este papel por questões de pureza e qualidade de seu canto, só entrando em cena apenas no momento da Cópula, sendo retirado em seguida para longe das fêmeas em benefício da sua veia canora preservando-se a sua virtuose. Longe das fêmeas, evitamos que o Padreador adquira o hábito de cantar com elementos sonoros de cortejamento (serradas, rasgadas, carretilhas, gritos de guerra etc.) indesejáveis e inadmissíveis a um campeão de canto e, próprio aos galadores. É muito comum a utilização do “Cortejador Eletrônico” mediante a utilização de fitas K-7, CD-R(s) e Pássaro Eletrônico, que desempenham o mesmo papel e propiciam os mesmos efeitos do Cortejador ao Vivo.

Primeiro Caso
O canto do Padreador é idêntico ao canto do Cortejador, neste caso não existe a preocupação por parte do criador de que o Padreador venha a “ESTOURAR” (abrir o canto com elementos de cortejamento) comportamento este exigido por algumas matrizes como condição indispensável à consumação da Cópula, não ocorrendo por parte da matriz à rejeição do Padreador por identifica-lo pelo seu cortejamento.

Manejo no Primeiro Caso
Após o treinamento do Padreador no Módulo de Manejo, julgamos apto a efetuar a cópula de determinada matriz que a solicita, e para tanto, introduzimos a gaiola do padreador entre as duas gaiolas demonstradas no Módulo de manejo com as divisórias nas suas respectivas posições, e abrimos os passadores de ambas as gaiolas. Tal movimentação levará a matriz na maioria das vezes a solicitar a cópula, aí removemos sem demora a divisória do Esquema – 2. O Padreador ao depara-se com a matriz em posição de solicitação de cópula rapidamente passará do poleiro “D” (trajetória em vermelho no esquema demonstrativo) em frente ao passador para o poleiro “C” (poleiro de base) na segunda travessa da gaiola criadeira e neste momento poderá “ESTOURAR”. A única alternativa é que a matriz esteja no poleiro “D” na primeira travessa, poleiro mais baixo (os poleiros em azul “A E B” só estarão disponível se o Padreador estiver vindo pela direita) e o Padreador no poleiro mais alto de onde alçará um vôo efetuando as manobras necessárias consumando a monta e conseqüentemente a Cópula voando em seguida diretamente para o poleiro “C” (poleiro de base) retornando sem demora para a sua gaiola. Neste momento introduzimos a divisória, fechamos os passadores e retiramos o Padreador do interior do criadouro.

Comentários
Verifique que foram dadas duas opções de trajetória do Padreador no Esquema-02 sendo desenhadas em cores distintas em função do lado em que se encontra a gaiola do Padreador. A colocação de apenas dois poleiros na gaiola criadeira (poleiros “C e D” em vermelho) e estando o Padreador no poleiro mais alto (poleiro de base) e a Matriz no mais baixo proporcionará uma cópula perfeita. O Esquema – 02 deve ser usado quando a Matriz exige que o Padreador ESTOURE para poder aceita-lo, nestas condições damos a ele o poleiro “C” (poleiro de base) para que faça um pouso preparatório a tal finalidade e logo em seguida consume o “ato” evitando sua dispersão dentro da Gaiola Criadeira, levando-o a perder o “Momento da Fêmea”. Observe que estando a matriz no poleiro “D” mais baixo propicia bastante espaço para que o Padreador efetue uma monta precisa retornando imediatamente a sua gaiola. Não devemos esquecer que as matrizes raramente compartilham o espaço ou mesmo o poleiro com os padreadores, e quando isto acontece geralmente o Padreador é enxotado a bicadas. Dentro da gaiola criadeira o Padreador e a matriz colocam-se sempre em posições opostas por isto, dispomos poleiros opostos e reduzimos as opções de pouso para força-lo a retornar a sua gaiola. Os padreadores bem treinados após a Cópula retornam imediatamente a sua gaiola.

Segundo Caso
O canto do Padreador é diferente do canto do Cortejador, neste caso o Padreador não pode “ESTOURAR” (abrir o canto com elementos de cortejamento) sobre pena de vir a ser identificado pela matriz e comprometer toda a Cópula com a sua rejeição pois a matriz esta submetida à corte do cortejador que possui cortejamento diferente do padreador. Temos verificado que a identificação é feita pela matriz mediante a audição dos elementos sonoros da corte. Neste caso o padreador não dispõe do poleiro “C” (poleiro de base) pois não deve “Estourar”

Manejo no Segundo Caso
Após o treinamento do Padreador no Módulo de Manejo, julgamos apto a efetuar a cópula de determinada matriz que a solicita, para tanto introduzimos a gaiola do padreador entre as duas gaiolas demonstradas no Módulo de manejo com as divisórias nas suas respectivas posições, e abrimos os passadores de ambas as gaiolas, tal movimentação levará a matriz na maioria das vezes a solicitar a cópula, aí removemos sem demora a divisória do Esquema – 1. O Padreador ao depara-se com a matriz em posição de solicitação de cópula rapidamente passará do poleiro “E” da sua gaiola (trajetória em vermelho no esquema demonstrativo) em frente ao passador para o poleiro “G” na primeira travessa da gaiola criadeira a onde encontra-se a matriz, em solicitação de cópula passando pelo passador em um único vôo efetuando as manobras necessárias consumando a monta e conseqüentemente a Cópula voando em seguida diretamente para o poleiro “E” no interior de sua gaiola retornando sem demora, neste momento introduzimos a divisória, fechamos os passadores e retiramos o Padreador do interior do criadouro.

Comentários
Observe que no segundo caso evitamos ao máximo que o padreador perca o seu objetivo que é a cópula, sua dispersão dentro da Gaiola Criadeira, levará á perca do “Momento da Fêmea”. Observe que estando a matriz no poleiro “G” mais baixo propicia bastante espaço para que o padreador efetue uma monta precisa, retornando imediatamente a sua gaiola. Observe que no Esquema-01 reduzimos as opções de poso para força-lo a retornar a sua gaiola o mais rápido possível. Os padreadores bem treinados após a Cópula retornam imediatamente a sua gaiola, em especial neste caso. A pratica da mestiçagem do Curió (Oryzoborus angolensis) X (Sporophila leucoptera) ou (Oryzoborus angolensis) X (Sporophila bouvreuil) só é conseguida mediante o conhecimento do Esquema-1 no qual mostramos à matriz oryzoborus um Curió e, após colocar-se em postura de solicitação de cópula soltamos pelo outro lado um bouvreuil para fazer a monta sem que a matriz oryzoborus perceba a diferença, caso contrário teremos que alterar o Imprinting da matriz oryzoborus para que aceite um padreador bouvreuil.

A CÓPULA
O ato da copulação nos Curiós é instintivo, portanto dispensa ensinamentos, no entanto, este ato deve ser objetivo e eficiente garantindo ao criador altos índices de fertilização, até mesmo nas matrizes mais agressivas. O treinamento dos padreadores constitui-se matéria indispensável ao bom e seguro desempenho dos mesmos, eliminando grande número de problemas que poderão ocorrer, sem que se perca o “Momento da Fêmea” que nem sempre aceitará repeti-lo com o padreador explorando a sua gaiola. Devemos remover da gaiola criadeira antes da soltura do padreador todo e qualquer utensílio que possa desperta o interesse do mesmo tais como: Portas Vitaminas, Osso de Siba, verduras, Casca de ovo etc. tal precaução evitará a dispersão do padreador e possíveis agressões da matriz assegurando a sua integridade física.
Podemos destacar algumas situações mais comuns e como resolve-las, evitando problemas de incompatibilidade que poderão ocorrer durante a tentativa de copulação tais como:
1. Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira e não faz a monta. A matriz após cerca de trinta segundos em posição de cópula perde o momento e entra em tremulação da plumagem, devemos introduzir a grade divisória de arame separando o padreador da matriz fazendo-o voltar a sua gaiola pois, logo após a tremulação da plumagem a matriz normalmente parte para o ataque ao padreador. Tentaremos nova cópula após duas horas.
2. Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira, “Estoura” e não faz a monta. A matriz pode estar na posição de cópula e perder o momento ou simplesmente percebe com o Estouro que o Padreador não é o mesmo Curió que fez a Corte “Cortejador” ou fica desconfiada. O Padreador poderá assumir uma postura de “Filhote” tremulando as asas e chamando como tal (emitindo um tipo de som idêntico aos emitidos pelos filhotes quando pedem comida a mãe), entrando no ninho e “Chamando Filhote” busca estimula-la à cópula. Este assédio nem sempre da bons resultados, devemos introduzir a grade divisória de arame separando o padreador da matriz fazendo-o voltar a sua gaiola pois, o ataque ao padreador pode acontecer a qualquer momento. Tentaremos nova cópula após duas horas.
3. Ao removermos a divisória, o padreador não entra na gaiola criadeira, poderá ou não “Estourar” mas o fará de sua gaiola, não passa para a gaiola Criadeira e deixa a matriz perder o momento. Esta inicia a tremulação de plumagem, e poderá repetir a postura de solicitação de cópula por mais algumas vezes e, mesmo assim, o padreador fica impassível. Não devemos em nenhuma hipótese insistir, nem forçar a sua passagem para a gaiola criadeira, pois o padreador bem mais do que nós sabe o que estar fazendo. Devemos introduzir a divisória e tentar outra cópula após duas horas, caso contrário a matriz passara para a gaiola do macho e o expulsará para a gaiola dela criando uma situação propícia a um ataque ao padreador quando do seu retorno, proporcionando muita perda de tempo.
4. Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira faz a monta sem problema mas fica na gaiola enquanto a matriz entra em tremulação da plumagem, logo em seguida efetua outra monta e todo o processo se repete e ele recusa-se a retornar. Em nenhuma hipótese devemos permitir a repetição da cópula no mesmo momento por ser desnecessário e, para não quebrar a rotina do padreador que poderá adquirir este mau hábito. Introduzimos a grade de arame e forçamos sem demora o seu retorno a sua gaiola. Podemos repetir a cópula após dez horas, ou no dia seguinte bem cedo.
Podemos utilizar um único padreador para até 10 (dez) fêmeas desde que este goze de boa saúde e esteja submetido a regime alimentar equilibrado quanto aos nutrientes fundamentais. Temos por muitos anos praticado com sucesso a Poligamia efetuando os cruzamentos basicamente com dois Padreadores fixos e vez por outra com padreador visitante sendo que, temos submetido em certas circunstâncias os padreadores fixos a um regime de monta diária sendo que o padreador que fizer a monta de determinada matriz pela manhã repetirá à tardinha e, todo o processo se repete no dia seguinte com o mesmo padreador e outra matriz, havendo fecundação de ambas as matrizes sem problema. Temos no caso de padreador jovem (dois a seis anos) praticado a poligamia diariamente durante três dias seguidos com matrizes diferentes com total sucesso quanto à fecundação. A melhor forma que encontrei é a de revezamento do padreador de dois em dois dias oferecendo desta forma melhores resultados.

Agradecimentos ao Autor: Dr. Gilson Barbosa - BA
gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

 


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